2out/071

Uma visão sistêmica sobre relacionamentos humanos

A felicidade não é coisa fácil:
É muito difícil encontrá-la em nós;
É impossível encontrá-la alhures.

Chamfort

Schopenhauer, filósofo alemão (1788-1860), divide a constituição humana em três determinantes fundamentais:
1) O que alguém é: A nossa personalidade.
2) O que alguém tem: As posses e propriedades em geral.
3) O que alguém representa: Como os outros nos vêem.

Claramente, perseguimos em nosso cotidiano as duas últimas e negligenciamos um tanto a primeira. A necessidade de ostentação e a ansiedade pela boa opinião alheia são os motores da vida humana social, na busca de reconhecimento mútuo.

Mesmo as ciências ditas da psique, portanto interessadas no que "alguém é", procuram integrar a personalidade no contexto dos relacionamentos humanos. Interpreta-se o indivíduo em relação aos demais e objetiva-se a boa convivência social.

A expectativa de felicidade própria é, assim, colocada em relação a algo externo (os bens materiais e/ou a aceitação social).

A era da comunicação é reflexo da necessidade de integração e de aceitação social mútua, baseada nessas duas categorias (o que alguém tem e o que alguém representa). Representar algo para alguém (ou alguéns) é a motivação sempre presente de comunidades virtuais, da troca de mensagens instantâneas, dos blogs (cá estamos!). Através dessa representação externa, a pessoa identifica-se a si própria e vê-se como integrada, não isolada.

O medo do isolamento parece gerar a obsessão por relacionamentos, ainda que superficiais, e faz com que o primeiro item (o que alguém é) seja desprezado. Ora, é nele justamente que poderíamos embasar nossos relacionamentos.

Na medida em que desenvolvemos o entendimento de nós mesmos (o que nós somos - item 1), conseguimos desenvolver relações mais baseadas no entendimento de cada individualidade, em vez de na necessidade de reconhecimento mútuo (como os outros nos vêem - item 3). Ao contrário do que possa pensar o senso comum, um indivíduo mais conhecedor de si, mais atento ao seu interior, não se tornará mais isolado ou mesmo um misantropo...

Comentários (1) Trackbacks (0)
  1. Achei esse post muito interessante. Concordo que todos nós somos movidos mais ao reconhecimento dos outros do que por outro motivo qualquer.

    Creio que como diz o filósofo e confirma o autor a ordem ser realmente conhecermos as pessoas pelo que elas são e não como geralmente é. Levando em consideração primeiro o que ela possui em segundo o que ela representa e aí sim é olhado para o que ela é.

    Creio que com o passar dos tempos agora com a filosofia do mundo mudando. Com a filosofia de colaboração, de aprendizados mútuo e tudo mais que esta acontecendo as coisas mudem e comecem a ser como deveria desde sempre com as pessoas olhando mais para o coletivo e levando em conta o que as pessoas são em seu íntimo e não somente sendo reconhecidas as pessoas por suas posses e pelo que representam.


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