4ago/072

Muita estrela e pouca constelação…

O mundo produz anualmente o mesmo volume de informações que a humanidade levou 40 mil anos para acumular. Diariamente, quantos jornais podemos ler? Quantas revistas podemos consultar? Quantas e-zines podemos receber? Quantos canais de TV podemos assistir? Qual o custo de acessar informação nesta magnitude, muita dela em duplicidade? E qual sua aplicação prática?

Estamos próximos de uma situação limite. Um bombardeio frenético de informações diante do qual agimos como buracos-negros, absorvendo tudo, mas assimilando pouco. Uma overdose que gera conhecimento superficial e sabedoria reduzida.

Extraído de texto de Tom Coelho – publicado na Revista VENCER! (encaminhado por Carlos Aranha)

Questões:
A capacidade do pensamento está relacionada com o volume de informações que se possui?
Um erudito tem maior capacidade de pensamento associativo e criação que uma pessoa de poucas letras?
Há mais saber em um cientista ocidental do século XXI do que haveria em um nativo de uma tribo asteca ou maia?

A dita Era da comunicação é obcecada por informação. Administrar esse fluxo, no entanto, tem se tornado o dilema de muitos. Parece haver dificuldade em definir o que é importante ou superficial, que conteúdos devem ser filtrados, que padrão de organização adotar. Uma bibliotecária pode não ter dificuldades para categorizar 20 artigos, mas se angustiará com a tentativa de organizar 20 milhões de artigos.

Parece-me que lidar com a informação tem relação estreita com a maneira como vemos o mundo. Segmente o mundo e você precisará de informação segmentada. As classificações que definimos para o universo são sempre artificiais e constrangedoras. E nos constrangem a tal ponto que já não sabemos como lidar com o próprio fluxo de informações.

Pensar é ir além das classificações. Pergunte a Deus se ao criar o mundo ele planejou essa organização... Ao procurar ordenar, classificar, filtrar (enfim, controlar a informação), estamos "desvelando" a natureza ou estamos lançando nossa visão de mundo humana, demasiado humana, sobre ela?

1ago/071

A visão sistêmica

"A concepção sistêmica vê o mundo em termos de relações e de integração. Os sistemas são totalidades integradas, cujas propriedades não podem ser reduzidas às de unidades menores. Em vez de se concentrar nos elementos ou substâncias básicas, a abordagem sistêmica enfatiza princípios básicos de organização.

Todos os sistemas naturais são totalidades cujas estruturas específicas resultam das interações e interdependência de suas partes.

As propriedades sistêmicas são destruídas quando um sistema é dissecado, física ou teoricamente, em elementos isolados. Embora possamos discernir partes individuais em qualquer sistema, a natureza do todo é sempre diferente da mera soma de suas partes."

Esses trechos estão no Cap. 9 d'O Ponto de Mutação, de Fritjof Capra, e os considerei como ponto de partida para nossa conversa.

A visão sistêmica implica entender qualquer coisa (material ou não) sob uma perspectiva de abrangência... Até mesmo uma máquina é mais que suas peças aparafusadas. O relacionamento entre os componentes, entretanto, e mesmo suas interações com o ambiente, a elevam a outra categoria de análise. Ocorre que nosso pensamento cotidiano está preso à análise por decomposição. Para entender o funcionamento da máquina, vamos querer identificar as peças que a compõem e acabamos por desprezar a visão do todo. Ainda que tenha sua validade, a análise por decomposição não parece ser suficiente para fornecer o entendimento do todo.

1jan/060

Perfil Flávio Demberg

Graduado em Filosofia (Licenciatura plena) pela UERJ, pós-graduado em História da Filosofia Moderna e Contemporânea também pela UERJ, pós-graduado em Comunicação com o Mercado pela ESPM, MBA em E-Business pela FGV. Tradutor literário da Editora Record e tradutor técnico para empresas como Microsoft, Royal Caribbean, LionBridge e Loc-House. Sócio-diretor da Demberg.Com Comunicação e Marketing. Consultor nas áreas de comunicação e marketing para micro e pequenas empresas. É professor de Filosofia nos cursos de Comunicação Social, Administração e Relações Internacionais da ESPM-RJ.